Na Terapia: Medo do Abandono

setembro 8, 2018 | Categoria: Cotidiano

Eu não sei como começar esse post, manas. Queria falar de um tema delicado: meu medo do abandono.

Confesso que comecei a escrever o post meio tímida, retraída, com medo de levar tapa. Mas vamos aí.

A psi disse que eu tenho um bebê interno, desnutrido de amor: carente. Que não dou atenção, que julgo, critico, culpo. Sou um carrasco com ele.

Daí ela contou a seguinte história: muitas mães deixam o bebê chorar à vontade, e dizem que “uma hora ele vai aprender a parar de chorar“. Nisso, ela perguntou:

— Vai aprender a parar de chorar ou aprender a ficar desamparado?

Quando eu fico com medo do abandono, eu me desamparo: busco aprovação das outras pessoas, não mostro o que tô sentindo de verdade. Isso porque o objetivo é agradar, falar para a pessoa o que eu acho que ela quer ouvir. Pra mim, desagradar é perigoso, porque eu acho que a pessoa vai a) brigar comigo ou b) me abandonar. Nisso, eu passei a esconder meus sentimentos. É como se eu estivesse buscando afetos em lugares artificiais: quando alguém me aprova, não necessariamente essa pessoa se preocupa comigo ou irá me amar.

Amar é mais que isso, dizem.

Mas eu criei um corpo contido, arredio: é difícil eu me expor, mostrar quem sou. Tenho vários eus, várias máscaras. E a Larissa autêntica poucas vezes aparece.

Em contrapartida, a psicóloga me incentiva a desabar, chorar, deixar o sentimento cá dentro aflorar.

Quando sinto que alguém não gosta de mim — qualquer pessoa —, logo penso:”Se elx não viu valor em mim, deve ser verdade”. É como se todxs tivessem autoridade sobre a minha vida, sobre mim mesma. Menos eu. Como se eu deixasse qualquer umx definir quem eu sou.

Dia desses um amigo disse:

— Lari, pensa naquele momento que você sofreu ansiedade e depressão. Agora pensa nas pessoas que estiveram lá pra te ajudar. São essas poucas pessoas que você tem que se preocupar, cultivar. O resto do mundo tá cagando pra você. E tudo bem.

No fundo, eu senti um alívio por pensar que a maioria das pessoas não se importa comigo, que eu não sou especial. Pensei: se eu não sou especial, nem você, nem ninguém, então por que encucar com a crítica de pessoas que não estarão ao seu lado quando você precisar?

No fundo, eu sigo faminta por afeto. Mas uma coisa que tento pensar quando bate o medo de ser abandonada por alguém é que: as pessoas não estarão para sempre conosco. As coisas são impermanentes. Portanto, que a gente possa aproveitar a companhia da pessoa ao máximo, enquanto estiver conosco.

Esse post não tem solução. É um espaço que pra eu (tentar) me soltar, me expor pra você.

Cê já passou por isso? Qual sua experiência?

Vamo falar. Falar é bom.

Postado por: Larissa P | Tags: ,

#Na Terapia: Autojulgamento

agosto 19, 2018 | Categoria: Cotidiano

Gente,  nesse post vou expor experiências que lido na terapia, por isso vim lançar a tag Na Terapia. Pra gente trocar ideia sobre temas da vida. Eu ainda tô em construção, por isso acho essa conversa será gostosa. 💛

Confesso que me julgo o  tempo todo: me culpo, critico. Sou um carrasco comigo.

Acho que a gente tem um Selfie Ideal que criamos de nós mesmos: o jeito que a gente acha que devia ser.

No meu caso, eu seguia o Selfie Ideal à risca: me levava tão a sério que não me permitia ouvir certos estilos de música. Só ópera, metal, indie.

Tinha uma voz dentro de mim julgando pequenas coisas, de forma muito sutil. 🤕

Na terapia, a psicóloga perguntou: “pensa nessa voz que te julga. Qual pessoa vem à mente?”

De prontidão, veio a figura paterna. Veja: não culpo papai. Acho que ele teve uma criação difícil. O jeito dele mostrar que me ama é cobrando. Porque assim foi com ele, também. Então, o jeito é eu aprender a lidar com isso.

Mas o que me impactou foi descobrir que a voz que me julga não é a minha voz. 😶

A voz que me julga é a voz do meu pai.

A gente conhece o que nossos pais aprovam ou não. O que descobri na terapia é que quando eu não me encaixava no que meu pai achava “correto”, meu corpo encolhia e eu me culpava. Era a forma de eu dizer pro outro: “por favor, não me julgue. Eu já estou fazendo isso”. 😰

Descobri que esse medo de errar era porque eu pensava que as pessoas iam brigar comigo, assim como acontecia na infância.

— Você vê o mundo e as pessoas como se fossem o seu pai, Lari — disse a psicóloga.

Ou seja, eu tinha em mente que eu só seria amada e valorizada se eu acertasse tudo, se eu fosse perfeita, se fosse inteligente. E aí eu criei o Selfie Ideal: a pessoa que eu tinha que alcançar pra ser amada. 

Nesse sentido, eu tinha que romper com a figura paterna, com o que essa figura acha que seria melhor pra mim. E me acolher, legitimar as coisas que eu sinto: tudo bem eu sentir isso. Eu mereço amor mesmo sentindo o que sinto.

A mensagem é: provavelmente você não é e nunca será exatamente aquela imagem que você queria ser. E tudo bem. Você não é pior porque não consegue ser a pessoa que você queria ser.

Você tá fazendo o que você pode pra hoje. E se você percebe limitações, busque fazer o que estiver ao seu alcance pra minimizar o que dá. Mas não se torture só porque você não é TÃO bem-sucedida(o), tão incrível, tão rica(o), tão fisicamente perfeita(o) quanto você imaginava que poderia ser.

A gente não precisa se levar tão a sério assim.

Uma coisa que faço: eu penso que hoje eu não quero me levar tão a sério. 🤙 É engraçado, mas isso me ajuda a relaxar. Porque o meu selfie ideal é de alguém que escuta músicas como ópera, indie, metal, é toda certinha, toda perfeitinha. É muito sutil, mas eu me culpo até quando ouço sertanejo. Eu sinto a culpa. 🙄

O mestre budista Lama Padma Samten disse que às vezes as pessoas não gostam que a gente não se julgue. Elas querem que a gente confesse coisas. Ainda assim, a gente pode dizer: olha, ainda que essas dificuldades todas existam, eu não queria me fixar nisso, eu queria me fixar na aspiração de fazer coisas melhores.

Vale notar que esse aspecto do julgamento próprio e do julgamento do outro andam juntos: quando a gente não se culpa, não culpa a(o) outrx, também.💛 O Lama ainda diz que quando a gente começa a se avaliar muito, a gente começa a apontar problemas nos outros, porque é a mesma energia.

Hoje, a forma que tento lidar com isso é:

🍃Eu fico procurando pequenas coisas que aprecio em mim, sabe? O Lama diz que se a gente olhar pra si buscando coisa melhor, numa conversa apreciativa consigo mesmx, quando a gente olha pro outro temos facilidade de não julgar e ter uma perspectiva apreciativa, também.

🍃 Tenho ciência de que não controlamos o que vem de dentro, mas sim as nossas escolhas 🙂 Legitimar seu sentimento é olhar pra ele e dizer: por quê tô sentindo isso? Qual o motivo?

🍃 Evito me depreciar: é difícil, e são frases muito sutis e até piadinhas que refletem como a gente se vê. Gente, eu sou viciada em fazer piada que me menospreza. Essas coisas fomentam a forma que a gente se vê. Pode ser brincadeira, mas estas reforçam um sistema de crenças.

É isso. Nós não somos perfeitos. E nós amamos pessoas que também não são, nem nunca serão. ❤

 

 

 

Postado por: Larissa P | Tags: