#Na Terapia: Autojulgamento

agosto 19, 2018 | Categoria: Cotidiano

Gente,  nesse post vou expor experiências que lido na terapia, por isso vim lançar a tag Na Terapia. Pra gente trocar ideia sobre temas da vida. Eu ainda tô em construção, por isso acho essa conversa será gostosa. 💛

Confesso que me julgo o  tempo todo: me culpo, critico. Sou um carrasco comigo.

Acho que a gente tem um Selfie Ideal que criamos de nós mesmos: o jeito que a gente acha que devia ser.

No meu caso, eu seguia o Selfie Ideal à risca: me levava tão a sério que não me permitia ouvir certos estilos de música. Só ópera, metal, indie.

Tinha uma voz dentro de mim julgando pequenas coisas, de forma muito sutil. 🤕

Na terapia, a psicóloga perguntou: “pensa nessa voz que te julga. Qual pessoa vem à mente?”

De prontidão, veio a figura paterna. Veja: não culpo papai. Acho que ele teve uma criação difícil. O jeito dele mostrar que me ama é cobrando. Porque assim foi com ele, também. Então, o jeito é eu aprender a lidar com isso.

Mas o que me impactou foi descobrir que a voz que me julga não é a minha voz. 😶

A voz que me julga é a voz do meu pai.

A gente conhece o que nossos pais aprovam ou não. O que descobri na terapia é que quando eu não me encaixava no que meu pai achava “correto”, meu corpo encolhia e eu me culpava. Era a forma de eu dizer pro outro: “por favor, não me julgue. Eu já estou fazendo isso”. 😰

Descobri que esse medo de errar era porque eu pensava que as pessoas iam brigar comigo, assim como acontecia na infância.

— Você vê o mundo e as pessoas como se fossem o seu pai, Lari — disse a psicóloga.

Ou seja, eu tinha em mente que eu só seria amada e valorizada se eu acertasse tudo, se eu fosse perfeita, se fosse inteligente. E aí eu criei o Selfie Ideal: a pessoa que eu tinha que alcançar pra ser amada. 

Nesse sentido, eu tinha que romper com a figura paterna, com o que essa figura acha que seria melhor pra mim. E me acolher, legitimar as coisas que eu sinto: tudo bem eu sentir isso. Eu mereço amor mesmo sentindo o que sinto.

A mensagem é: provavelmente você não é e nunca será exatamente aquela imagem que você queria ser. E tudo bem. Você não é pior porque não consegue ser a pessoa que você queria ser.

Você tá fazendo o que você pode pra hoje. E se você percebe limitações, busque fazer o que estiver ao seu alcance pra minimizar o que dá. Mas não se torture só porque você não é TÃO bem-sucedida(o), tão incrível, tão rica(o), tão fisicamente perfeita(o) quanto você imaginava que poderia ser.

A gente não precisa se levar tão a sério assim.

Uma coisa que faço: eu penso que hoje eu não quero me levar tão a sério. 🤙 É engraçado, mas isso me ajuda a relaxar. Porque o meu selfie ideal é de alguém que escuta músicas como ópera, indie, metal, é toda certinha, toda perfeitinha. É muito sutil, mas eu me culpo até quando ouço sertanejo. Eu sinto a culpa. 🙄

O mestre budista Lama Padma Samten disse que às vezes as pessoas não gostam que a gente não se julgue. Elas querem que a gente confesse coisas. Ainda assim, a gente pode dizer: olha, ainda que essas dificuldades todas existam, eu não queria me fixar nisso, eu queria me fixar na aspiração de fazer coisas melhores.

Vale notar que esse aspecto do julgamento próprio e do julgamento do outro andam juntos: quando a gente não se culpa, não culpa a(o) outrx, também.💛 O Lama ainda diz que quando a gente começa a se avaliar muito, a gente começa a apontar problemas nos outros, porque é a mesma energia.

Hoje, a forma que tento lidar com isso é:

🍃Eu fico procurando pequenas coisas que aprecio em mim, sabe? O Lama diz que se a gente olhar pra si buscando coisa melhor, numa conversa apreciativa consigo mesmx, quando a gente olha pro outro temos facilidade de não julgar e ter uma perspectiva apreciativa, também.

🍃 Tenho ciência de que não controlamos o que vem de dentro, mas sim as nossas escolhas 🙂 Legitimar seu sentimento é olhar pra ele e dizer: por quê tô sentindo isso? Qual o motivo?

🍃 Evito me depreciar: é difícil, e são frases muito sutis e até piadinhas que refletem como a gente se vê. Gente, eu sou viciada em fazer piada que me menospreza. Essas coisas fomentam a forma que a gente se vê. Pode ser brincadeira, mas estas reforçam um sistema de crenças.

É isso. Nós não somos perfeitos. E nós amamos pessoas que também não são, nem nunca serão. ❤

 

 

 

Postado por: Larissa P | Tags:

O que você acha? :)

87 oo o.O cry S33 S2 D <s2 <4 <33 <22 ;F ;) :D :-) :* :( : 99s 99) 00 --/ *.* **..** **** (S
  1. Rowe disse:

    Ahh eu acredito que a maioria das pessoas sente isso, porque é muito difícil se desligar completamente da selfie perfeita, do que queremos ser e do que somos. Buscamos nossos defeitos como quem cata feijões e deixamos pra lá tudo de bom que já somos. Academia pra ficar com o corpo perfeito, procedimentos estéticos pra mudar todas as coisas que julgamos ser defeitos, cabelo assim ou assado porque é o que o mundo diz ser bonito e com isso vamos nos desconstruindo e virando vítima do que querem que a gente seja, pois no fundo a gente só busca isso porque quer ser aceito. Falo como vitima de tudo isso, falo pois tudo isso faz parte da minha realidade e conforme enxergo o quão movida pelo fluxo eu estou, vou aos poucos sentindo a necessidade de me desprender de tudo que me exige. É cansativo, é um ciclo de culpas e libertações até chegar na consciência do que somos e que devemos apenas nos agradar. Acho que aos poucos a gente chega lá. <3

    • Larissa P disse:

      Pois é. Aos poucos a gente vai percebendo que não é corpo nem procedimento estético que fará com que sejamos amadxs ou valorizadxs. Conforme for, a gente pode filtrar pessoas que a gente não liga pra opinião dela at all, e as que a gente se importa <3 Acho que é um treino mesmo, um cultivo. A gente chega lá, sim <33

  2. Kaila Garcia disse:

    Sem palavras para esse texto. A gente sempre se julga por algo, mas nunca parei para pensar nessa voz que nos julga. Vou tentar fazer esse exercício em casa!

    http://www.kailagarcia.com

  3. Lincoln Costa disse:

    Penso que a culpa é um sentimento que pode ser bom e ruim, se nossas atitudes forem o inverso: ou seja, sentirmos culpa por algo ruim é bom (se nos levar a repensar nossas atitudes) e o contrário é ruim.
    Porém precisamos avaliar (como você bem disse) a nossos sentimentos sempre, de maneira livre: “Por que estou sentindo isso? Por que sendo tentado a fazer essa piada infame?” ou “… abrir a boca na hora errada?”.
    Percebo que sua alma luta contra as tendências arianas (haahahaha) e está certa! kkk
    Brincadeira à parte, espero que, sim, essa conversa sirva para uma construção bacana do self. **** Beijão

    • Larissa P disse:

      KKKKKK, berro. É meu ascendente em gêmeos, Li. Racionalizando as explosões arianes. **..**
      Esse ponto que você falou da culpa é importante: a diferença entre veneno e remédio é a dose. E a dose que eu tomava de autoculpa era alta.

      que bom que curtiu o papo <22

  4. Camila Tuan disse:

    A voz que me julga é a minha mesmo, acho que acaba sendo pior.
    Vou tentar seguir suas dicas para lidar melhor com isso.

    Beijos e parabéns pelo post.

    • Larissa P disse:

      Oi, mana. Acho que você não se sente assim consigo mesma à toa. Isso foi dito pra você ao longo de toda sua vida, mesmo que não tenha sido verbalizado de forma clara e explícita. Fora que a gente é bombardeado com ideias sobre fracasso x sucesso em filmes, novelas, na publicidade, etc. E às vezes aquilo não traz felicidade, não resolve todos os seus problemas, mas nos induzem a achar que será maravilhoso quando a gente conseguir. A gente tomar consciência disso já é um grande passo.
      É foda :( e obrigada <3

  5. Thaty Lopes disse:

    Lari, continue com esses posts por favor, li todos os seus posts do blog e já estou sentindo falta…
    Seu trabalho é incrível, parabéns !! ;)

  6. Camila Faria disse:

    Oi Lari,uma das coisas mais maravilhosas da terapia é justamente isso, esse aprendizado sobre nós mesmos, esse olhar para dentro. É bonito, dolorido e libertador. <3

    • Larissa P disse:

      Oi, Mila ❤️ pois é. acho tão bonito isso de a gente se conhecer, ver limitações e falhas e aprender a se abraçar mesmo assim, sabe? <3

  7. KARINE disse:

    aaaaaa, que post mais lindo! achei muito incrível você tocar nesse tema aqui no blog e amei tudo que escreveu. eu também sofro demais com o autojulgamento, autocritica e etc. raramente me contento com as coisas que faço, achando que nunca são boas o bastante. e às vezes isso chega em um nível de me desmotivar, é complicado. quero muito fazer terapia um dia pra conseguir vencer essas coisas e me conhecer melhor.

    • Larissa P disse:

      aaaaa, mana, feliz que tu gostou ❤️ sei cmo é isso. eu tb fico criando o ideal que preciso ser/chegar pra ser amada, e às vezes é bem no automático.
      tu vai conseguir, mana. vamo conversando e refletindo sobre isso :)

  8. Vi Furrati disse:

    Adorei a reflexão, importante nessa época de selfie e valorização da imagem.

    Se quiser participar, estou sorteando um kit de acessórios lá no blog.

  9. Dai Castro disse:

    Ter atenção ao nossos sentimentos é essencial nesse processo de auto-conhecimento, né? Eu também tenho essa voz que aponta os meus defeitos a cada cinco minutos e silenciá-la é um processo diário, de transformação de carrasco ao nosso melhor amigo.
    Hoje frequentemente me pergunto porque é que estou sentindo tal coisa, e logo tento substituir por algo positivo.
    Adorei a criação dessa nova tag aqui no blog, com certeza irá gerar um bate papo bem legal sobre auto conhecimento! Um beijo! :* S33

    • Larissa P disse:

      É difícil mesmo, Dai. E é o que você falou: é um treino diário de se perceber, se atentar para o que a gente sente nessas situações.
      Eu tento não substituir as emoções por coisas “positivas”. Porque sentir tristeza ou raiva não é ruim. Apenas nos ensinaram que esses sentimentos são tidos como ruins. Eles são naturais, e a gente pode se permitir senti-los. A diferença é as escolhas que fazemos a partir disso. <3
      Beijo, Dani <4

  10. Taís disse:

    Ahh Lari, quanto tempo!! E que coisa mais maravilhosa ver vc lá no blog e vir aqui tb. ♥
    Andei meio sumida nas ultimas semanas, preciso conferir mais teus post por aqui.
    Achei esse post tão maravilhoso e como é incrivel esse alto aprendizado e como a terapia fez isso acontecer de uma forma positiva. Queria mto tb começar e ver como seria essa experiência pra mim.

    Beijos <3

  11. Vy disse:

    Oie! Nossa, tá difícil conciliar o blog com a vida corrida aqui no Japão. Ao mesmo tempo que odeio isso aqui, no fim de semana não quero ficar trancada em casa e ai mal sobra tempo pra escrever. mas daqui a pouco tem um post levinho subindo ;)

    Houve uma época que eu quis fazer terapia. Mas alterno essas fases, nào sei lidar com tanta emoção e sei que se fizer terapia, no começo não vou poder fazer outra coisa da vida por causa do desgaste, de verdade! Já quis chorar só de ler esse post, hahaha! Mas que bom que você consegue e está trabalhando nas suas questões, a verdade é que o mundo seria um pouco melhor se todos fizessem terapia ;)

  12. Andrea disse:

    Texto lindo, Lari.
    Realmente a gente quer enxergar as coisas como as pessoas que amamos, principalmente pela aceitação… é difícil esse autoconhecimento, mas tão bom também, não é?

  13. Gisley Scott disse:

    No começo do ano eu tb passei por uma vibe assim e tb buscando aconselhamento com uma pessoa sábia, ela tb me revelou que essas vozes não eram minhas. O livro Prisioneiras do Espelho(Michele Engelke) me ajudou muito a nutrir a minha criança interior e a tratá-la com carinho e amor. Se alguém falasse comigo do jeito que eu falasse comigo, será que eu ainda seria amiga dessa pessoa? Provavelmente não. Então porque é NORMAL para mim que eu me trate assim? Essas foram algumas das questões que a pessoa levantou para a minha reflexão.

    Beijos!
    Gostei do seu cantinho :)

    http://www.vivendolaforanoseua.blogspot.com

  14. Chel disse:

    AHHH!! Abraça eu!
    Eu sou minha pior inimiga e também estou aprendendo a ser mais gentil comigo. Segue a vida rssss Suas imagens dos posts são tão lindas!