Inspiração: Beleza Além do Bocão

setembro 2, 2018 | Categoria: Inspiração

Teria então chegado o tempo de falarmos, sem preconceitos, sobre a beleza da boca fina?

⚠ Veja, esse post não é pra julgar pessoas que fizeram preenchimento labial ou querem fazer — ou até quem nasceu com esse traço natural. Não é competição de melhor ou pior.

O ponto é fazer a gente enxergar que existe beleza além desse padrão. Eu sinto que somos bombardeadas por imagens de mulheres quase todas iguais: bocão, nariz miudinho, olhos grandes, rosto fino.

Confesso que fiquei muito tempo querendo me encaixar nessa imagem. A ponto de não conseguir tirar selfie sem me retocar ou gravar vídeos somente com filtros. Isso foi mutilando a pouca autoestima que eu tinha, de um jeito muito sutil. Algumas pessoas consideram que não há nada de mais nisso. Mas, pelo que eu vejo, a longo prazo a gente se acostuma a sempre retocar, a depender de filtros. E quando a gente vê, pouco aceitamos a realidade do nosso rosto.

Depois de algum tempo de terapia, aprendi a amar minha aparência. A gravar vídeo sem filtros, a postar fotos sem retoque. E, finalmente, consegui criar um novo estilo de beleza na minha mente: o meu tipo.

No fundo, estamos todxs cansadxs de mulheres padronizadas, iguais. Cadê as mulheres reais?

É pesado pensar que boa parte das mulheres não se sentem suficientemente bonitas.

A autora feminista, Naomi Wolf, no livro O Mito da Beleza, diz que em meio à  maioria das mulheres que trabalham, têm sucesso, são atraentes, existe uma subvida secreta que envenena nossa liberdade: imersa em conceitos de beleza, vivemos em um escuro filão de ódio a nós mesmas, obsessões com o físico e pânico de envelhecer. A ditadura da beleza estigmatizou coisas naturais ao corpo: boca fina, obesidade e velhice.

Naomi fala que somos oprimidas pelo Mito da Beleza: se a beleza é subjetiva para cada cultura, o Mito da Beleza tenta torná-la objetiva, universal. Esta não se importa com sua aparência, desde que você se sinta feia. Não importa se você corresponde a 100% do padrão de beleza, o Mito da Beleza não quer saber se você é bonita, quer apenas que você se odeie, se ache insuficiente. Porque isso faz a roda do comércio girar, a indústria da beleza lucrar. Mas isso é papo pra outro post.

Nesse sentido, o que incomoda as mulheres não são os enfeites, o tempo gasto se arrumando ou o desejo de conquistar alguém. Muitos mamíferos se arrumam, e todas as culturas usam adornos. A verdadeira luta é entre a dor e o prazer, a liberdade e a obrigação.

Ou seja, o problema com a maquiagem ou o preenchimento existe somente quando as mulheres se sentem invisíveis ou incorretas sem eles.

Com essa reflexão, coletei imagens de mulheres aceitando e ostentando suas bocas finas. Inclusive pessoas do meu convívio, como vocês verão abaixo.

Autoaceitação é um treino: o treino de ficar sem filtros, aceitar a realidade que é nosso rosto.

Mulheres do meu convívio

1. Essa é a @Tâmie Mognato. Ela é uma das mulheres mais inteligentes que conheço. Muito rainha de exatas e de biomédicas, sim. (Te amo, Tomy 💖)

Tamie Mognato

2. Pensa numa mulher que manja muito sobre política, leis e retórica. É a Rafaela Venturim.

3. Lorena Vervloet é uma dentista topper, e fucking estudiosa. Muito ícone, sim.

⚠ PS: pras manas pretas, eu não consegui achar muitas fotos de vocês sem bocão. Beleza afro não costuma ter esse traço? Se vocês tiverem fotos, me mandem, que eu boto aqui. 💓

O que cê achou do post? Me conta. 💛

 

Crédito das fotos:

@Fotografeumaideia
@Crissantoro
@Ph Passarello
@Fernando Chassot
@Jardim Fotográfico
@Olhoslivres
Unplash

Postado por: Larissa P

Inspiração: Nariz Grande

julho 23, 2018 | Categoria: Inspiração

Eu odeio meu nariz. Nunca falei disso fora da terapia, mas tenho complexo de nariz grande desde a quarta série, quando os meninos me chamavam de nariz de batatinha.

Até tempo atrás, tirar selfie era muito difícil pra mim, porque eu achava meu nariz enorme nas fotos. Gravar stories então, era bem pior. :( Eu não conseguia me achar bonita em vídeos, e depois de tentar várias vezes sair bem, eu desistia, chorava um pouco por me achar feia e ia dormir.

Bateu tristeza: sem dinheiro pra rinoplastia, eu aprendia a me odiar mais. Parece loucura, mas eu deixava de sair de casa por me achar uma aberração.

Mas foi há algumas semanas atrás que me deparei com o Insta da Kiran Rai: atriz e modelo indiana, irmã da escritora Rupi Kaur. Ela assume o nariz grande nas fotos, e posa pra marcas como Gucci e Moschino. De repente, ver alguém confiante, ostentando um traço que se tornou pejorativo na indústria da beleza me deixou chokita:


Comecei a pesquisar mais sobre a ditadura do nariz pequeno, e vi a campanha da jornalista britânica Radhika Sanghani, que faz a gente questionar o preconceito contra o nariz grande. Ela diz:

A campanha foi uma hashtag no twitter, incentivando mulheres e homens com nariz fora do padrão a compartilharem suas fotos de perfil. Nesse sentido, acredito que dizer que alguém tem nariz grande não é xingamento: nós o enxergamos assim. Ter narigão é só outra forma de beleza, a qual não estamos acostumadxs a ver por aí.

Fotos pessoais assumindo a nareba

Vou finalizar com fotos minhas, bem plena, aceitando meu nariz grande:

Pois é, manas. Agora tô lá no insta, gravando stories até sem maquiagem, me sentindo maravitop.

Mas foi tenso, bicho. Vale dizer que foram 6 meses de terapia pra botar a autoestima em dia.

Depois de quase 10 anos de auto-ódio, eu mereço esse sossego em relação à minha aparência, né nom? 💞

Se amar é mesmo, como dizem, revolucionário.

 

Postado por: Larissa P | Tags: ,