Deixando de Engolir Sapo #Terapia

novembro 5, 2018 | Categoria: Cotidiano

Sabe quando você fica engolindo sapo só pra evitar conflitos? Aí você fica com medo de se posicionar pra não criar confusão, pra não pagar de doida, e aí a gente fica remoendo depois? Esses dias todos eu fiquei assim, e quando vi tava de mau humor e me sentindo péssima comigo.

Outro dia uma pessoa do curso de ópera me gravou cantando e postou no grupo do WhatsApp do núcleo. E eu não queria, pedi para excluir, e a pessoa fingiu demência e não excluiu. Na hora, eu não insisti porque tava com medo de criar confusão. Mas o incômodo ficou. (e essa eu engoli e deixei passar)

Levei isso pra terapia e a psicóloga disse que tudo o que eu sinto é legítimo. Se eu me senti incomodada, meu corpo sabe o porquê.

Lembro que eu me culpava pelas coisas que eu sentia, dizendo pra mim: ah, isso que eu sinto é bobagem, vou ficar quieta. Só que passei a guardar raiva e ranço, reclamando o tempo todo, me culpando porque eu não disse nada na hora.

Eu não sei se vocês passaram por isso, mas eu ficava engolindo mil sapos e me agredindo aos poucos.

Mas esse domingo eu resolvi fazer diferente: o próximo que falasse gracinha pra mim, eu ia falar aquilo que me viesse à cabeça. Porque não existe “o certo” a se falar, existe o que seu corpo sente.

Seu corpo saberá responder.

Aconteceu que o mesmo menino do curso, do nada, disse pra mim: ai, Larissa. Você não tem o senso do revés. Eu virei e respondi: ai, garoto, cuida da sua vida. Que cara chato, bicho.”. Em alto e bom som. Ele ficou sem graça, porque não esperava.

A partir disso, ele não me enche mais o saco. Eu estabeleci um limite. Acredito que muitas pessoas invadem o espaço da outra, e cabe a nós delimitar nosso contorno, não permitir a invasão. E para isso a gente pode se posicionar. Acredito que ser adulto demanda isso: um posicionamento.

Tô me forçando a falar na hora. A me defender, me respeitar, sabe? Eu acho que tô voltando pra casa mais feliz, mais leve. Sem raiva, sem ranço. Só uma sensação de: falei. Que alívio.

Tô tentando deixar o sapo aonde encontro.

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Na Terapia: Medo do Abandono

setembro 8, 2018 | Categoria: Cotidiano

Eu não sei como começar esse post, manas. Queria falar de um tema delicado: meu medo do abandono.

Confesso que comecei a escrever o post meio tímida, retraída, com medo de levar tapa. Mas vamos aí.

A psi disse que eu tenho um bebê interno, desnutrido de amor: carente. Que não dou atenção, que julgo, critico, culpo. Sou um carrasco com ele.

Daí ela contou a seguinte história: muitas mães deixam o bebê chorar à vontade, e dizem que “uma hora ele vai aprender a parar de chorar“. Nisso, ela perguntou:

— Vai aprender a parar de chorar ou aprender a ficar desamparado?

Quando eu fico com medo do abandono, eu me desamparo: busco aprovação das outras pessoas, não mostro o que tô sentindo de verdade. Isso porque o objetivo é agradar, falar para a pessoa o que eu acho que ela quer ouvir. Pra mim, desagradar é perigoso, porque eu acho que a pessoa vai a) brigar comigo ou b) me abandonar. Nisso, eu passei a esconder meus sentimentos. É como se eu estivesse buscando afetos em lugares artificiais: quando alguém me aprova, não necessariamente essa pessoa se preocupa comigo ou irá me amar.

Amar é mais que isso, dizem.

Mas eu criei um corpo contido, arredio: é difícil eu me expor, mostrar quem sou. Tenho vários eus, várias máscaras. E a Larissa autêntica poucas vezes aparece.

Em contrapartida, a psicóloga me incentiva a desabar, chorar, deixar o sentimento cá dentro aflorar.

Quando sinto que alguém não gosta de mim — qualquer pessoa —, logo penso:”Se elx não viu valor em mim, deve ser verdade”. É como se todxs tivessem autoridade sobre a minha vida, sobre mim mesma. Menos eu. Como se eu deixasse qualquer umx definir quem eu sou.

Dia desses um amigo disse:

— Lari, pensa naquele momento que você sofreu ansiedade e depressão. Agora pensa nas pessoas que estiveram lá pra te ajudar. São essas poucas pessoas que você tem que se preocupar, cultivar. O resto do mundo tá cagando pra você. E tudo bem.

No fundo, eu senti um alívio por pensar que a maioria das pessoas não se importa comigo, que eu não sou especial. Pensei: se eu não sou especial, nem você, nem ninguém, então por que encucar com a crítica de pessoas que não estarão ao seu lado quando você precisar?

No fundo, eu sigo faminta por afeto. Mas uma coisa que tento pensar quando bate o medo de ser abandonada por alguém é que: as pessoas não estarão para sempre conosco. As coisas são impermanentes. Portanto, que a gente possa aproveitar a companhia da pessoa ao máximo, enquanto estiver conosco.

Esse post não tem solução. É um espaço que pra eu (tentar) me soltar, me expor pra você.

Cê já passou por isso? Qual sua experiência?

Vamo falar. Falar é bom.

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#Na Terapia: Autojulgamento

agosto 19, 2018 | Categoria: Cotidiano

Gente,  nesse post vou expor experiências que lido na terapia, por isso vim lançar a tag Na Terapia. Pra gente trocar ideia sobre temas da vida. Eu ainda tô em construção, por isso acho essa conversa será gostosa. 💛

Confesso que me julgo o  tempo todo: me culpo, critico. Sou um carrasco comigo.

Acho que a gente tem um Selfie Ideal que criamos de nós mesmos: o jeito que a gente acha que devia ser.

No meu caso, eu seguia o Selfie Ideal à risca: me levava tão a sério que não me permitia ouvir certos estilos de música. Só ópera, metal, indie.

Tinha uma voz dentro de mim julgando pequenas coisas, de forma muito sutil. 🤕

Na terapia, a psicóloga perguntou: “pensa nessa voz que te julga. Qual pessoa vem à mente?”

De prontidão, veio a figura paterna. Veja: não culpo papai. Acho que ele teve uma criação difícil. O jeito dele mostrar que me ama é cobrando. Porque assim foi com ele, também. Então, o jeito é eu aprender a lidar com isso.

Mas o que me impactou foi descobrir que a voz que me julga não é a minha voz. 😶

A voz que me julga é a voz do meu pai.

A gente conhece o que nossos pais aprovam ou não. O que descobri na terapia é que quando eu não me encaixava no que meu pai achava “correto”, meu corpo encolhia e eu me culpava. Era a forma de eu dizer pro outro: “por favor, não me julgue. Eu já estou fazendo isso”. 😰

Descobri que esse medo de errar era porque eu pensava que as pessoas iam brigar comigo, assim como acontecia na infância.

— Você vê o mundo e as pessoas como se fossem o seu pai, Lari — disse a psicóloga.

Ou seja, eu tinha em mente que eu só seria amada e valorizada se eu acertasse tudo, se eu fosse perfeita, se fosse inteligente. E aí eu criei o Selfie Ideal: a pessoa que eu tinha que alcançar pra ser amada. 

Nesse sentido, eu tinha que romper com a figura paterna, com o que essa figura acha que seria melhor pra mim. E me acolher, legitimar as coisas que eu sinto: tudo bem eu sentir isso. Eu mereço amor mesmo sentindo o que sinto.

A mensagem é: provavelmente você não é e nunca será exatamente aquela imagem que você queria ser. E tudo bem. Você não é pior porque não consegue ser a pessoa que você queria ser.

Você tá fazendo o que você pode pra hoje. E se você percebe limitações, busque fazer o que estiver ao seu alcance pra minimizar o que dá. Mas não se torture só porque você não é TÃO bem-sucedida(o), tão incrível, tão rica(o), tão fisicamente perfeita(o) quanto você imaginava que poderia ser.

A gente não precisa se levar tão a sério assim.

Uma coisa que faço: eu penso que hoje eu não quero me levar tão a sério. 🤙 É engraçado, mas isso me ajuda a relaxar. Porque o meu selfie ideal é de alguém que escuta músicas como ópera, indie, metal, é toda certinha, toda perfeitinha. É muito sutil, mas eu me culpo até quando ouço sertanejo. Eu sinto a culpa. 🙄

O mestre budista Lama Padma Samten disse que às vezes as pessoas não gostam que a gente não se julgue. Elas querem que a gente confesse coisas. Ainda assim, a gente pode dizer: olha, ainda que essas dificuldades todas existam, eu não queria me fixar nisso, eu queria me fixar na aspiração de fazer coisas melhores.

Vale notar que esse aspecto do julgamento próprio e do julgamento do outro andam juntos: quando a gente não se culpa, não culpa a(o) outrx, também.💛 O Lama ainda diz que quando a gente começa a se avaliar muito, a gente começa a apontar problemas nos outros, porque é a mesma energia.

Hoje, a forma que tento lidar com isso é:

🍃Eu fico procurando pequenas coisas que aprecio em mim, sabe? O Lama diz que se a gente olhar pra si buscando coisa melhor, numa conversa apreciativa consigo mesmx, quando a gente olha pro outro temos facilidade de não julgar e ter uma perspectiva apreciativa, também.

🍃 Tenho ciência de que não controlamos o que vem de dentro, mas sim as nossas escolhas 🙂 Legitimar seu sentimento é olhar pra ele e dizer: por quê tô sentindo isso? Qual o motivo?

🍃 Evito me depreciar: é difícil, e são frases muito sutis e até piadinhas que refletem como a gente se vê. Gente, eu sou viciada em fazer piada que me menospreza. Essas coisas fomentam a forma que a gente se vê. Pode ser brincadeira, mas estas reforçam um sistema de crenças.

É isso. Nós não somos perfeitos. E nós amamos pessoas que também não são, nem nunca serão. ❤

 

 

 

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Bossa Nouveau: brotou, brotou

julho 12, 2018 | Categoria: Cotidiano

Bossa voltou! Nossa, tô sentindo uma realização tão grande. Isso porque fiquei um tempão matutando se lançava o blog ou não: tive medo de botar a cara no sol. Ainda tenho esse medo da exposição. Ao mesmo tempo, a vontade de escrever continua. Daí cá estou. ****

Mas eu confesso que ando com dificuldade de me expressar. “Seja você mesma“, alguns dizem. Sim, mas qual dos meus eus vou ser hoje?
Não sei vocês, mas parece que tenho tantas camadas de mim mesma que tá difícil sair a mais autêntica. Diante de uma cultura de aparência, algorítimos, likes, e todos os papéis sociais artificiais, acho que criei mais layers em mim do que crio no Photoshop. Parece papo de doido, mas eu sinto que é aqui, na escrita, que eu fico nua.

Falando do Bossa

O Bossa brotou de uma junção do jeitinho calmo e simples da Bossa Nova, com essa interrogação ambulante, tão rebuscada quanto o Art Nouveau. O Bossa Nouveau, pra mim, é essa dualidade contraditória e complementar. Solar e lunar. Yin Yang. Bossa também brotou da vontade de criar um espaço acolhedor, pra gente conversar sobre ansiedade, depressão, tretas da vida. Porque isso é o que eu tenho pra hoje.

Pra você que é leitorx antigx (aaa 💖 ) notou que algumas coisas ficaram? Até o layout eu tive a intenção de deixar do jeito antigo, com o mesmo menu coloridinho —  meu xodó. Não sei vocês, mas essa estrutura me traz conforto, e faz o bossa continuar com cara de casinha quentinha, que a gente de vez em sempre pode se aconchegar.

Lembra que antigamente o tema era positividade? Talvez continue assim. Acredito que será uma positividade lúcida, pé no chão. Sem reprimir sentimentos reais: tristeza, raiva, inveja. Acho que sentir isso é muito normal, e é real. Que a gente se permita sentir tudo isso, sim. Minha fé é que, a partir disso, a gente comece a se conhecer, se acolher com carinho, se gostar, se namorar. Quero falar muito sobre isso aqui.

É isso, gente. Me conta o que cê achou do layout e do post? Quero saber tua opinião. :)

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