Por que ler literatura clássica?

agosto 29, 2018 | Categoria: Conhecimento

Papai tem uma biblioteca aqui em casa com cerca de 3 mil livros. Lembro que ele não me deu pra ler A Divina Comédia, Madame Bovary ou Os Miseráveis de primeira.

Lembro bem. Teve todo um preparo antes: livro ilustrado dos Irmãos Grimm, livro de pequenos contos, crônicas. Depois, ele me deu livros clássicos adaptados. Se você fez uma careta,é porque sabe que isso mutila os livros, mas foi importante pra mim naquele momento. Eu aprendi a gostar dos clássicos ali, e a querer ler os originais. Papai não me poupou. Ele disse: você pode começar com Victor Hugo, filha. Cê sabia que ele escreveu O Corcunda de Notre Dame, e é autor daquele livro Os Miseráveis que você leu curtinho? Esse último são 11 volumes; nada curto, hein?

Leandro Karnal, Historiador e professor da UNICAMP, diz na entrevista à Livraria Cultura  que qualquer grande obra exige um preparo. Um esforço. Que às vezes é inteiramente prazeroso, às vezes tem a parte da dor. A dor de entender.

Existe um desafio de ler clássicos, porque não é fácil. Clássicos são difíceis, e quero te contar o porquê desse ponto ser positivo.

O que é um clássico a partir da literatura?

Charles Sainte-Beuve foi crítico literário e uma grande figura histórica da literatura francesa, e tem uma análise sobre o termo: “Um clássico, de acordo com o senso comum, é um autor antigo, já consagrado pela admiração, é uma autoridade em seu estilo particular. Aqueles que se tornaram modelos em qualquer idioma“. Pra mim, o que faz um livro ser clássico é a capacidade da história ser atemporal e universal: atravessar décadas, séculos, e os temas continuarem tão atuais. Os Miseráveis foi publicado em 1862, e um dia desses passou no cinema.

Uma definição que gosto bastante é a do escritor italiano Ítalo Calvino:

Agora que já sabemos o que são os clássicos, isso nos leva a outra questão:

Por que é importante ler os clássicos?

Algumas pessoas consideram chato, e eu até entendo: nosso cotidiano é marcado por mensagens rápidas, informações instantâneas. A gente vive com pressa, ansiedade pela informação e pelo acontecimento chegar. E isso se reflete na forma como lemos: queremos texto dinâmico, bem escrito, sem muito fluxo ou muito obstáculo, sem muita oração subordinada ou adverbial, só orações retas e coordenadas.

Clássicos são densos. Tem uma pesquisa feita pela Universidade Liverpool que responde bem essa pergunta: ler as obras de literatura clássica estimula a atividade do cérebro de uma forma mais intensa do que a leitura de textos coloquiais.

Essa pesquisa foi coordenada em 2013 pelo professor Philip Daves, que selecionou 30 voluntários e entregou a eles o texto clássico original. Depois, foi entregue a mesma história, mas reescritas em uma linguagem coloquial. Nos dois momentos, os autores monitoraram a atividade cerebral por meio de exames de ressonância magnética.

O resultado é que quando você lê um texto clássico com palavras mais difíceis e que você não usa no seu cotidiano, o lado direito do seu cérebro fica mais ativo que o normal. Quando você lê o texto coloquial, ele permanece em stand by; funcionando da mesma forma.

A parte maravitop é que esses estímulos se mantêm durante um tempo, e têm efeitos positivos a longo prazo para a mente.

Gente, isso é muito positivo. Porque o lado direito do cérebro é responsável por analisar uma situação e fornecer soluções pra ela. Toda nossa compreensão e entendimento do mundo está armazenado ali, também. Por isso, os clássicos servem como atividade de autoajuda emocional, mais útil do que os próprios livros com essa finalidade, segundo os autores.

E quem não gosta de descobrir outros caminhos, né? Me contem o que vocês acharam, se já leram um clássico e como foi a experiência. 💖

BIBLIOGRAFIA

Postado por: Larissa P

#Na Terapia: Autojulgamento

agosto 19, 2018 | Categoria: Cotidiano

Gente,  nesse post vou expor experiências que lido na terapia, por isso vim lançar a tag Na Terapia. Pra gente trocar ideia sobre temas da vida. Eu ainda tô em construção, por isso acho essa conversa será gostosa. 💛

Confesso que me julgo o  tempo todo: me culpo, critico. Sou um carrasco comigo.

Acho que a gente tem um Selfie Ideal que criamos de nós mesmos: o jeito que a gente acha que devia ser.

No meu caso, eu seguia o Selfie Ideal à risca: me levava tão a sério que não me permitia ouvir certos estilos de música. Só ópera, metal, indie.

Tinha uma voz dentro de mim julgando pequenas coisas, de forma muito sutil. 🤕

Na terapia, a psicóloga perguntou: “pensa nessa voz que te julga. Qual pessoa vem à mente?”

De prontidão, veio a figura paterna. Veja: não culpo papai. Acho que ele teve uma criação difícil. O jeito dele mostrar que me ama é cobrando. Porque assim foi com ele, também. Então, o jeito é eu aprender a lidar com isso.

Mas o que me impactou foi descobrir que a voz que me julga não é a minha voz. 😶

A voz que me julga é a voz do meu pai.

A gente conhece o que nossos pais aprovam ou não. O que descobri na terapia é que quando eu não me encaixava no que meu pai achava “correto”, meu corpo encolhia e eu me culpava. Era a forma de eu dizer pro outro: “por favor, não me julgue. Eu já estou fazendo isso”. 😰

Descobri que esse medo de errar era porque eu pensava que as pessoas iam brigar comigo, assim como acontecia na infância.

— Você vê o mundo e as pessoas como se fossem o seu pai, Lari — disse a psicóloga.

Ou seja, eu tinha em mente que eu só seria amada e valorizada se eu acertasse tudo, se eu fosse perfeita, se fosse inteligente. E aí eu criei o Selfie Ideal: a pessoa que eu tinha que alcançar pra ser amada. 

Nesse sentido, eu tinha que romper com a figura paterna, com o que essa figura acha que seria melhor pra mim. E me acolher, legitimar as coisas que eu sinto: tudo bem eu sentir isso. Eu mereço amor mesmo sentindo o que sinto.

A mensagem é: provavelmente você não é e nunca será exatamente aquela imagem que você queria ser. E tudo bem. Você não é pior porque não consegue ser a pessoa que você queria ser.

Você tá fazendo o que você pode pra hoje. E se você percebe limitações, busque fazer o que estiver ao seu alcance pra minimizar o que dá. Mas não se torture só porque você não é TÃO bem-sucedida(o), tão incrível, tão rica(o), tão fisicamente perfeita(o) quanto você imaginava que poderia ser.

A gente não precisa se levar tão a sério assim.

Uma coisa que faço: eu penso que hoje eu não quero me levar tão a sério. 🤙 É engraçado, mas isso me ajuda a relaxar. Porque o meu selfie ideal é de alguém que escuta músicas como ópera, indie, metal, é toda certinha, toda perfeitinha. É muito sutil, mas eu me culpo até quando ouço sertanejo. Eu sinto a culpa. 🙄

O mestre budista Lama Padma Samten disse que às vezes as pessoas não gostam que a gente não se julgue. Elas querem que a gente confesse coisas. Ainda assim, a gente pode dizer: olha, ainda que essas dificuldades todas existam, eu não queria me fixar nisso, eu queria me fixar na aspiração de fazer coisas melhores.

Vale notar que esse aspecto do julgamento próprio e do julgamento do outro andam juntos: quando a gente não se culpa, não culpa a(o) outrx, também.💛 O Lama ainda diz que quando a gente começa a se avaliar muito, a gente começa a apontar problemas nos outros, porque é a mesma energia.

Hoje, a forma que tento lidar com isso é:

🍃Eu fico procurando pequenas coisas que aprecio em mim, sabe? O Lama diz que se a gente olhar pra si buscando coisa melhor, numa conversa apreciativa consigo mesmx, quando a gente olha pro outro temos facilidade de não julgar e ter uma perspectiva apreciativa, também.

🍃 Tenho ciência de que não controlamos o que vem de dentro, mas sim as nossas escolhas 🙂 Legitimar seu sentimento é olhar pra ele e dizer: por quê tô sentindo isso? Qual o motivo?

🍃 Evito me depreciar: é difícil, e são frases muito sutis e até piadinhas que refletem como a gente se vê. Gente, eu sou viciada em fazer piada que me menospreza. Essas coisas fomentam a forma que a gente se vê. Pode ser brincadeira, mas estas reforçam um sistema de crenças.

É isso. Nós não somos perfeitos. E nós amamos pessoas que também não são, nem nunca serão. ❤

 

 

 

Postado por: Larissa P | Tags:

O que é Unfollow Terapêutico?

agosto 12, 2018 | Categoria: Vibes

Oi, meus amô. Quero falar com vocês sobre uma hashtag nova que surgiu no Instagram: o Unfollow Terapêutico. Acho importante a gente conversar sobre isso, e quero muito a opinião de vocês. :)

Por que surgiu essa hashtag?

Uma pesquisa feita pela Sociedade de Saúde Mental do Reino Unido avaliou o impacto que o Instagram tem na saúde mental de nós, xófens, de 14 a 24 anos. Já foi considerada a pior rede social, também. Isso porque mostra estilos de vidas que não condizem com a realidade de pelo menos 90% da população. A mesma pesquisa aponta um aumento de casos de depressão e ansiedade ligados a essa rede.

O que é Unfollow Terapêutico?

Unfollow Terapêutico é um movimento que tem a proposta de incentivar que você deixe de seguir perfis que não façam bem pra sua saúde mental. Seja aquela blogueira que viaja todo dia, seja um perfil de culto ao corpo e à dieta, etc. Muitas pessoas vão dizer: “Ah, Lari. Mas a gente não devia sentir inveja ou se comparar com outras pessoas. Cada umx é cada umx.” É muito bonito isso na teoria, né? Mas a gente é humano. Seja lá o que você sente, tá tudo bem. 💝 Não é errado sentir inveja, tristeza ou raiva vendo fotos de amigxs na Tailândia, gente com o corpo que você queria, ou pessoas muito bonitas que fazem você se sentir mal. Tá tudo bem, mesmo.

PS: trouxe falas muito sensíveis da psicóloga Cecília Dassi sobre Unfollow Terapêutico:

“Tem muitas blogueiras que REALMENTE falam para “dar valor aos momentos simples” em situações TOTALMENTE de luxo, falam que o maior perrengue que já passaram na vida foi morar em Barcelona sem ter motorista, falam que “maternidade é muito mais fácil do que as pessoas dizem” tendo empregada, babá e família ajudando; falam que dá SIM pra viajar todo ano, que “todo mundo” pode juntar dinheiro ao longo de um ano pra viajar, etc.

Existem pessoas que estão, realmente, muito desconectadas da realidade da grande maioria do mundo, e seguir um monte de gente desse tipo no Instagram vai aos poucos te fazendo achar que “todo mundo tem uma vida ótima” e que só você tem uma vida bosta. 💩

Então, parar de estar no meio desses estímulos, se afastar desses conteúdos que trazem à tona toda essa confusão de sentimentos e te fazem tirar tantas conclusões (idealizadas) sobre o mundo e (muito negativas) sobre você mesmx é um passo geralmente importante.

O que quer que seja que você esteja sentindo, é legítimo. Cê tem que acolher e respeitar. 🙂

O Unfollow Terapêutico faz a gente se respeitar mais, legitimar o que sentimos, e de quebra evita a perda de parâmetros do cotidiano:

Algumas pessoas negam os sentimentos e entram numa batalha: “Eu não devia sentir isso. Inveja é muito feio. Eu devia pensar de outra forma 😡”.

Não, você não tinha que pensar de outra forma. É melhor que você sinta, olhe pra essas coisas com carinho e lide com os recursos que tem hoje. :)

Pra finalizar, ficam alguns questionamentos: quais conteúdos a gente consome nas redes sociais? Nos inspira ou prejudica?

Unfollow Terapêutico é sobre filtrar, se cuidar, se amar, também. É a gente respeitar os limites que temos. 💓

Postado por: Larissa P