Mosteiro Zen Budista Ibiraçu

fevereiro 22, 2019 | Categoria: Vibes

Olar meus amô. Ai, gente, perdoa esse sumiço e não desistam de mim. Tô voltando, mas antes passei óleo de peroba na cara, pra esconder a cara de pau de ter ficado um mês sem dar as caras. É isso. Saturei o substantivo cara também nessa estrofe. Próximo.

Então deixa dizer aqui que muitas águas rolaram: mudei de endereço, decorei casinha nova, botei plantinha 🌿 —  tá ficando no jeito. Agora tô livre pra escrever no Bossa (não sei como me virei até aqui sem escrever, porque pqp), que SAUDADE eu tava disso aqui tudo. Aff.

E o post de hoje tá gostosinho: eu entrei nas vibe de praticar meditação, tô indo num centro budista pra aprender ensinamentos Budísticos (?), e aí que nisso eu fui parar no Mosteiro Zen Budista, que fica em Ibiraçu, Espírito Santo. ⛩

Informações sobre o passeio

O Mosteiro abre aos domingos, de oito às onze da manhã. Chegando lá, tem um guia que explica a história do Mosteiro e da filosofia budista, e ele passa por várias construções frequentadas pelos monges, passa pelo jardim e a natureza, e, no final, acontece uma conversa com um dos monges, e também uma prática de meditação.

Curiosidades sobre Budismo:

O Budismo começa na Índia, cerca de 2600 anos atrás, com o Shakyamuni Buddha. O Zen Budismo se inicia na Índia, com a iluminação de Buda, mas foi cultivado na China do século VII, e também no Japão, Vietnã e Coreia.

Hoje é mais conhecida a prática básica do zen japonês, que é o zazen (significa “meditar sentado“), tipo de meditação contemplativa que visa a levar o praticante à “experiência direta da realidade” através da observação da própria mente. Um dos mestres mais proeminentes da linha Zen é Eihei Dogen.

Existem outras linhas no budismo: o tibetano é o que eu venho estudando mais pelos livros, prática e ensinamentos. É a linha do Dalai Lama, Tenzin Palmo, Chagdud Rinpoche, e por aí vai. Mas confesso que tenho praticado o Zazen, também, porque quero conhecer mais dos dois.

É isso, gente. Post curtinho, só pra dar o ar da graça meixmo. :)

Gratidão pra você que leu até aqui. ✨🙏🌻

Namastê. 💓💓

Postado por: Larissa P

Posts mais Vistos por Vocês em 2018!

janeiro 5, 2019 | Categoria: Cotidiano

Oi, meus amô. Feliz ano novo atrasado pra ti ✨✨ Muita luz, paz interior e momentos bons pra gente nesse 2019.

Hoje o post tá caprichado. Eu achei justo fazer a lista de posts mais vistos por vocês. De quebra, falo sobre o que estava sentindo quando escrevi o post: porque cada um deles foi um passo na minha trajetória à autoaceitação.

1. Cotidiano: Brotou, Brotou

Foi o primeiro post do Bossa. E motivo de uma baita felicidade. Isso porque eu criei o Bossa lá em 2012, e fechei ele em 2014 quando fui morar em São Paulo. Gente, eu passei meses querendo voltar com o Bossa, e sem coragem de escrever ou me expôr. (tava malzona de depressão) Em 2018 botei a mão na massa e ele voltou, repaginado, mas com quase a mesma cara de 2012. :) Vem ver o primeiro post!

2. Inspiração: Nariz Grande

Nossa. Esse post foi o marco da autoaceitação pra mim. Isso porque eu detestava minha aparência, nutria ódio pelo meu nariz e, por isso, não gostava de tirar fotos nem vídeos. Em 2018 comecei a fazer terapia, e em algum tempo eu consegui olhar pra esse traço meu com carinho. Como diz Gisele: nariz grande, personalidade grande. Quer ver? Cola aqui 🌹

3. Unfollow Terapêutico

Depois de aceitar a aparência, era hora de dizer ao Instagram o que eu queria ver (e mais importante: o que eu não queria ver). Parei de seguir pessoas que me deixavam mal; e, com a distância, parei de comparar os bastidores da minha vida com o palco de muita gente. Post tá aqui.

4. Beleza Além do Bocão

Autoestima oscila e a ditadura da beleza não descansa. Veja bem: eu acho bonito ter bocão. E tudo bem se você faz preenchimento labial. Meu ponto não é esse; meu ponto é: a gente pode aprender a se achar bonita SEM precisar disso! E existem outros traços de beleza. Abra os olhos para vê-la. O post tá aqui.

5. #Na Terapia

Puts! Essa foi a tag que vocês mais gostaram, e eu tô mega feliz com isso! É nela que exponho meus problemas e descobertas com a psicóloga. 🤫🤭 Aqui estão os posts dessa série.

6. Wicca e o Sagrado Feminino

Aqui é o momento que fico chokita. Eu não esperava que vocês fossem gostar tanto desse! :) Na real, eu tava com medo de rolar preconceito, mas vocês me acolheram muito! Cês são maravilhosxs!

Esse foi um post sobre a religião celta, também chamada Druidismo ou Wicca. Por trás desse post, eu tava me reconectando com as coisas que eu mais gostava na infância: música celta, contos de fada e a conexão com a natureza.

Acabô, meus amô. Obrigada a cada umx que tirou um tempinho pra acompanhar o Bossa. Vocês são luz. ✨✨🌻 Espero que fiquem em 2019!

Namastê. ❤

Postado por: Larissa P

Deixando de Engolir Sapo #Terapia

novembro 5, 2018 | Categoria: Cotidiano

Sabe quando você fica engolindo sapo só pra evitar conflitos? Aí você fica com medo de se posicionar pra não criar confusão, pra não pagar de doida, e aí a gente fica remoendo depois? Esses dias todos eu fiquei assim, e quando vi tava de mau humor e me sentindo péssima comigo.

Outro dia uma pessoa do curso de ópera me gravou cantando e postou no grupo do WhatsApp do núcleo. E eu não queria, pedi para excluir, e a pessoa fingiu demência e não excluiu. Na hora, eu não insisti porque tava com medo de criar confusão. Mas o incômodo ficou. (e essa eu engoli e deixei passar)

Levei isso pra terapia e a psicóloga disse que tudo o que eu sinto é legítimo. Se eu me senti incomodada, meu corpo sabe o porquê.

Lembro que eu me culpava pelas coisas que eu sentia, dizendo pra mim: ah, isso que eu sinto é bobagem, vou ficar quieta. Só que passei a guardar raiva e ranço, reclamando o tempo todo, me culpando porque eu não disse nada na hora.

Eu não sei se vocês passaram por isso, mas eu ficava engolindo mil sapos e me agredindo aos poucos.

Mas esse domingo eu resolvi fazer diferente: o próximo que falasse gracinha pra mim, eu ia falar aquilo que me viesse à cabeça. Porque não existe “o certo” a se falar, existe o que seu corpo sente.

Seu corpo saberá responder.

Aconteceu que o mesmo menino do curso, do nada, disse pra mim: ai, Larissa. Você não tem o senso do revés. Eu virei e respondi: ai, garoto, cuida da sua vida. Que cara chato, bicho.”. Em alto e bom som. Ele ficou sem graça, porque não esperava.

A partir disso, ele não me enche mais o saco. Eu estabeleci um limite. Acredito que muitas pessoas invadem o espaço da outra, e cabe a nós delimitar nosso contorno, não permitir a invasão. E para isso a gente pode se posicionar. Acredito que ser adulto demanda isso: um posicionamento.

Tô me forçando a falar na hora. A me defender, me respeitar, sabe? Eu acho que tô voltando pra casa mais feliz, mais leve. Sem raiva, sem ranço. Só uma sensação de: falei. Que alívio.

Tô tentando deixar o sapo aonde encontro.

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Religião Wicca: Sagrado Feminino

outubro 13, 2018 | Categoria: Conhecimento

Edit: gente, tô com medo de deixar esse post aqui, porque muita gente tem preconceito com a Wicca, dizendo que é maléfica/satanista/come criancinhas, etc. Spoiler: a gente não faz nada disso, nem magia negra.

Então vamos ler antes de falar o que a gente não sabe, tá bem? Então tá bem.

Wicca é uma religião baseada na cultura celta, na religião dos druidas: o Druidismo. Eu amo muito as histórias sobre esse antigo povo: Brumas de Avalon, Rei Arthur, Távola Redonda, etc. Daí lá em 2014 pesquisei sobre a religião deles, e dei de cara com a Wicca.

Pra tu sentir a vibe, a cultura celta era matriarcal: com forte reverência à mulher, pois a divindade suprema era a Mãe Natureza. A importância feminina se refletia nos costumes: a rainha celta comandava exércitos e tinha vários amantes.

👉 Tá, mas o que é a Wicca?

Wicca é uma religião pagã, baseada no Druidismo. Para os celtas a  Deusa tinha 3 fases: Donzela, Mãe e Anciã. 🌛🌑🌜E as três fases são representadas pelas luas crescente, cheia e minguante. Ah, eles acreditavam no Deus Cornífero: filho e amante da Deusa, força masculina.

Para os druidas, a Deusa era a energia lunar, e o Deus, solar. 🌚🌞

Wicca ou Wicce tem origem anglo-saxã, que significa “curar ou moldar”. Eu jajá explico isso.

Em sua essência, a Wicca é centrada na reverência à Deusa, e tem a natureza e a mulher como sagrada. 🌿✨

🧙‍♂️🧙‍♀️ A Bruxaria

Esses dias eu li que  a bruxaria talvez seja a mais antiga religião existente no Ocidente.  Suas origens são anteriores ao cristianismo, judaísmo e ao Islã; até mesmo ao budismo e ao hinduísmo. Ela não se baseia em dogmas ou livro sagrado. Ela retira seus ensinamentos da natureza e inspira-se nos ciclos das estações.

👉 Sagrado Feminino

“Existe coisa mais feminina que a natureza?”

O que eu mais gosto na wicca é que a gente acredita na Deusa, a mãe que deu à luz ao mundo, mãe que alimenta e dá toda a vida. Ela é poder de fertilidade e geração. No meu coração, faz sentido que seja uma mulher quem deu vida ao universo.

A Deusa é exemplo de força e autoridade feminina. E ela tem várias faces: Ísis, Diana, Ártemis, Afrodite, Virgem Maria, Iemanjá. Mas é a mesma Deusa. Uma só.

👉 Magia

A Wicca é uma religião que envolve magia. E quando falo “magia”, significa a capacidade de exercer influência sobre o nosso meio. 🔮 Ela é voltada para o nosso florescer, e nunca pra prejudicar outrxs ou tirar livre arbítrio de alguém.

Para os Bruxos nada é imutável e nossa vontade é a única coisa necessária para transformar nosso destino.

Confesso que faço magia em poucas ocasiões: pra pedir paz, amor, alegria, coragem. E não é uma coisa sobrenatural, pelo contrário: magia é natural. Eu uso pedras, ervas, incensos, galhos de árvores, elementos da natureza no geral.

Magia é a prática de usar energias naturais pra efetuar mudanças necessárias.

⚠ Mas ó, atenta aqui: se você quer praticar apenas magia, provavelmente a Wicca não é o melhor caminho pra você, porque envolve principalmente orações e rituais para a Deusa e o Deus.

⚠ Outro ponto: a magia não é um meio de forçar a natureza ou tirar livre arbítrio de alguém. A gente trabalha junto com os elementos naturais: fogo, terra, ar e água.

Me conta o que cê achou disso tudo. Quero saber tua opinião :) ✨💓

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Na Terapia: Medo do Abandono

setembro 8, 2018 | Categoria: Cotidiano

Eu não sei como começar esse post, manas. Queria falar de um tema delicado: meu medo do abandono.

Confesso que comecei a escrever o post meio tímida, retraída, com medo de levar tapa. Mas vamos aí.

A psi disse que eu tenho um bebê interno, desnutrido de amor: carente. Que não dou atenção, que julgo, critico, culpo. Sou um carrasco com ele.

Daí ela contou a seguinte história: muitas mães deixam o bebê chorar à vontade, e dizem que “uma hora ele vai aprender a parar de chorar“. Nisso, ela perguntou:

— Vai aprender a parar de chorar ou aprender a ficar desamparado?

Quando eu fico com medo do abandono, eu me desamparo: busco aprovação das outras pessoas, não mostro o que tô sentindo de verdade. Isso porque o objetivo é agradar, falar para a pessoa o que eu acho que ela quer ouvir. Pra mim, desagradar é perigoso, porque eu acho que a pessoa vai a) brigar comigo ou b) me abandonar. Nisso, eu passei a esconder meus sentimentos. É como se eu estivesse buscando afetos em lugares artificiais: quando alguém me aprova, não necessariamente essa pessoa se preocupa comigo ou irá me amar.

Amar é mais que isso, dizem.

Mas eu criei um corpo contido, arredio: é difícil eu me expor, mostrar quem sou. Tenho vários eus, várias máscaras. E a Larissa autêntica poucas vezes aparece.

Em contrapartida, a psicóloga me incentiva a desabar, chorar, deixar o sentimento cá dentro aflorar.

Quando sinto que alguém não gosta de mim — qualquer pessoa —, logo penso:”Se elx não viu valor em mim, deve ser verdade”. É como se todxs tivessem autoridade sobre a minha vida, sobre mim mesma. Menos eu. Como se eu deixasse qualquer umx definir quem eu sou.

Dia desses um amigo disse:

— Lari, pensa naquele momento que você sofreu ansiedade e depressão. Agora pensa nas pessoas que estiveram lá pra te ajudar. São essas poucas pessoas que você tem que se preocupar, cultivar. O resto do mundo tá cagando pra você. E tudo bem.

No fundo, eu senti um alívio por pensar que a maioria das pessoas não se importa comigo, que eu não sou especial. Pensei: se eu não sou especial, nem você, nem ninguém, então por que encucar com a crítica de pessoas que não estarão ao seu lado quando você precisar?

No fundo, eu sigo faminta por afeto. Mas uma coisa que tento pensar quando bate o medo de ser abandonada por alguém é que: as pessoas não estarão para sempre conosco. As coisas são impermanentes. Portanto, que a gente possa aproveitar a companhia da pessoa ao máximo, enquanto estiver conosco.

Esse post não tem solução. É um espaço que pra eu (tentar) me soltar, me expor pra você.

Cê já passou por isso? Qual sua experiência?

Vamo falar. Falar é bom.

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Beleza Além do Bocão

setembro 2, 2018 | Categoria: Inspiração

Teria então chegado o tempo de falarmos, sem preconceitos, sobre a beleza da boca fina?

⚠ Veja, esse post não é pra julgar pessoas que fizeram preenchimento labial ou querem fazer — ou até quem nasceu com esse traço natural. Não é competição de melhor ou pior.

O ponto é fazer a gente enxergar que existe beleza além desse padrão. Eu sinto que somos bombardeadas por imagens de mulheres quase todas iguais: bocão, nariz miudinho, olhos grandes, rosto fino.

Confesso que fiquei muito tempo querendo me encaixar nessa imagem. A ponto de não conseguir tirar selfie sem me retocar ou gravar vídeos somente com filtros. Isso foi mutilando a pouca autoestima que eu tinha, de um jeito muito sutil. Algumas pessoas consideram que não há nada de mais nisso. Mas, pelo que eu vejo, a longo prazo a gente se acostuma a sempre retocar, a depender de filtros. E quando a gente vê, pouco aceitamos a realidade do nosso rosto.

Depois de algum tempo de terapia, aprendi a amar minha aparência. A gravar vídeo sem filtros, a postar fotos sem retoque. E, finalmente, consegui criar um novo estilo de beleza na minha mente: o meu tipo.

No fundo, estamos todxs cansadxs de mulheres padronizadas, iguais. Cadê as mulheres reais?

É pesado pensar que boa parte das mulheres não se sentem suficientemente bonitas.

A autora feminista, Naomi Wolf, no livro O Mito da Beleza, diz que em meio à  maioria das mulheres que trabalham, têm sucesso, são atraentes, existe uma subvida secreta que envenena nossa liberdade: imersa em conceitos de beleza, vivemos em um escuro filão de ódio a nós mesmas, obsessões com o físico e pânico de envelhecer. A ditadura da beleza estigmatizou coisas naturais ao corpo: boca fina, obesidade e velhice.

Naomi fala que somos oprimidas pelo Mito da Beleza: se a beleza é subjetiva para cada cultura, o Mito da Beleza tenta torná-la objetiva, universal. Esta não se importa com sua aparência, desde que você se sinta feia. Não importa se você corresponde a 100% do padrão de beleza, o Mito da Beleza não quer saber se você é bonita, quer apenas que você se odeie, se ache insuficiente. Porque isso faz a roda do comércio girar, a indústria da beleza lucrar. Mas isso é papo pra outro post.

Nesse sentido, o que incomoda as mulheres não são os enfeites, o tempo gasto se arrumando ou o desejo de conquistar alguém. Muitos mamíferos se arrumam, e todas as culturas usam adornos. A verdadeira luta é entre a dor e o prazer, a liberdade e a obrigação.

Ou seja, o problema com a maquiagem ou o preenchimento existe somente quando as mulheres se sentem invisíveis ou incorretas sem eles.

Com essa reflexão, coletei imagens de mulheres aceitando e ostentando suas bocas finas. Inclusive pessoas do meu convívio, como vocês verão abaixo.

Autoaceitação é um treino: o treino de ficar sem filtros, aceitar a realidade que é nosso rosto.

⚠ PS: pras manas pretas, eu não consegui achar muitas fotos de vocês sem bocão. Beleza afro não costuma ter esse traço? Se vocês tiverem fotos, me mandem, que eu boto aqui. 💓

O que cê achou do post? Me conta. 💛

Crédito das fotos:

@Fotografeumaideia
@Crissantoro
@Ph Passarello
@Fernando Chassot
@Jardim Fotográfico
@Olhoslivres
Unplash

Postado por: Larissa P

Por que ler literatura clássica?

agosto 29, 2018 | Categoria: Conhecimento

Papai tem uma biblioteca aqui em casa com cerca de 3 mil livros. Lembro que ele não me deu pra ler A Divina Comédia, Madame Bovary ou Os Miseráveis de primeira.

Lembro bem. Teve todo um preparo antes: livro ilustrado dos Irmãos Grimm, livro de pequenos contos, crônicas. Depois, ele me deu livros clássicos adaptados. Se você fez uma careta,é porque sabe que isso mutila os livros, mas foi importante pra mim naquele momento. Eu aprendi a gostar dos clássicos ali, e a querer ler os originais. Papai não me poupou. Ele disse: você pode começar com Victor Hugo, filha. Cê sabia que ele escreveu O Corcunda de Notre Dame, e é autor daquele livro Os Miseráveis que você leu curtinho? Esse último são 11 volumes; nada curto, hein?

Leandro Karnal, Historiador e professor da UNICAMP, diz na entrevista à Livraria Cultura  que qualquer grande obra exige um preparo. Um esforço. Que às vezes é inteiramente prazeroso, às vezes tem a parte da dor. A dor de entender.

Existe um desafio de ler clássicos, porque não é fácil. Clássicos são difíceis, e quero te contar o porquê desse ponto ser positivo.

O que é um clássico a partir da literatura?

Charles Sainte-Beuve foi crítico literário e uma grande figura histórica da literatura francesa, e tem uma análise sobre o termo: “Um clássico, de acordo com o senso comum, é um autor antigo, já consagrado pela admiração, é uma autoridade em seu estilo particular. Aqueles que se tornaram modelos em qualquer idioma“. Pra mim, o que faz um livro ser clássico é a capacidade da história ser atemporal e universal: atravessar décadas, séculos, e os temas continuarem tão atuais. Os Miseráveis foi publicado em 1862, e um dia desses passou no cinema.

Uma definição que gosto bastante é a do escritor italiano Ítalo Calvino:

Agora que já sabemos o que são os clássicos, isso nos leva a outra questão:

Por que é importante ler os clássicos?

Algumas pessoas consideram chato, e eu até entendo: nosso cotidiano é marcado por mensagens rápidas, informações instantâneas. A gente vive com pressa, ansiedade pela informação e pelo acontecimento chegar. E isso se reflete na forma como lemos: queremos texto dinâmico, bem escrito, sem muito fluxo ou muito obstáculo, sem muita oração subordinada ou adverbial, só orações retas e coordenadas.

Clássicos são densos. Tem uma pesquisa feita pela Universidade Liverpool que responde bem essa pergunta: ler as obras de literatura clássica estimula a atividade do cérebro de uma forma mais intensa do que a leitura de textos coloquiais.

Essa pesquisa foi coordenada em 2013 pelo professor Philip Daves, que selecionou 30 voluntários e entregou a eles o texto clássico original. Depois, foi entregue a mesma história, mas reescritas em uma linguagem coloquial. Nos dois momentos, os autores monitoraram a atividade cerebral por meio de exames de ressonância magnética.

O resultado é que quando você lê um texto clássico com palavras mais difíceis e que você não usa no seu cotidiano, o lado direito do seu cérebro fica mais ativo que o normal. Quando você lê o texto coloquial, ele permanece em stand by; funcionando da mesma forma.

A parte maravitop é que esses estímulos se mantêm durante um tempo, e têm efeitos positivos a longo prazo para a mente.

Gente, isso é muito positivo. Porque o lado direito do cérebro é responsável por analisar uma situação e fornecer soluções pra ela. Toda nossa compreensão e entendimento do mundo está armazenado ali, também. Por isso, os clássicos servem como atividade de autoajuda emocional, mais útil do que os próprios livros com essa finalidade, segundo os autores.

E quem não gosta de descobrir outros caminhos, né? Me contem o que vocês acharam, se já leram um clássico e como foi a experiência. 💖

BIBLIOGRAFIA

Postado por: Larissa P

#Na Terapia: Autojulgamento

agosto 19, 2018 | Categoria: Cotidiano

Gente,  nesse post vou expor experiências que lido na terapia, por isso vim lançar a tag Na Terapia. Pra gente trocar ideia sobre temas da vida. Eu ainda tô em construção, por isso acho essa conversa será gostosa. 💛

Confesso que me julgo o  tempo todo: me culpo, critico. Sou um carrasco comigo.

Acho que a gente tem um Selfie Ideal que criamos de nós mesmos: o jeito que a gente acha que devia ser.

No meu caso, eu seguia o Selfie Ideal à risca: me levava tão a sério que não me permitia ouvir certos estilos de música. Só ópera, metal, indie.

Tinha uma voz dentro de mim julgando pequenas coisas, de forma muito sutil.

Na terapia, a psicóloga perguntou: “pensa nessa voz que te julga. Qual pessoa vem à mente?”

De prontidão, veio a figura paterna. Veja: não culpo papai. Acho que ele teve uma criação difícil. O jeito dele mostrar que me ama é cobrando. Porque assim foi com ele, também. Então, o jeito é eu aprender a lidar com isso.

Mas o que me impactou foi descobrir que a voz que me julga não é a minha voz. 😶

A voz que me julga é a voz do meu pai.

A gente conhece o que nossos pais aprovam ou não. O que descobri na terapia é que quando eu não me encaixava no que meu pai achava “correto”, meu corpo encolhia e eu me culpava. Era a forma de eu dizer pro outro: “por favor, não me julgue. Eu já estou fazendo isso”. 😰

Descobri que esse medo de errar era porque eu pensava que as pessoas iam brigar comigo, assim como acontecia na infância.

— Você vê o mundo e as pessoas como se fossem o seu pai, Lari — disse a psicóloga.

Ou seja, eu tinha em mente que eu só seria amada e valorizada se eu acertasse tudo, se eu fosse perfeita, se fosse inteligente. E aí eu criei o Selfie Ideal: a pessoa que eu tinha que alcançar pra ser amada.

Nesse sentido, eu tinha que romper com a figura paterna, com o que essa figura acha que seria melhor pra mim. E me acolher, legitimar as coisas que eu sinto: tudo bem eu sentir isso. Eu mereço amor mesmo sentindo o que sinto.

A mensagem é: provavelmente você não é e nunca será exatamente aquela imagem que você queria ser. E tudo bem. Você não é pior porque não consegue ser a pessoa que você queria ser.

Você tá fazendo o que você pode pra hoje. E se você percebe limitações, busque fazer o que estiver ao seu alcance pra minimizar o que dá. Mas não se torture só porque você não é TÃO bem-sucedida(o), tão incrível, tão rica(o), tão fisicamente perfeita(o) quanto você imaginava que poderia ser.

A gente não precisa se levar tão a sério assim.

Uma coisa que faço: eu penso que hoje eu não quero me levar tão a sério. 🤙 É engraçado, mas isso me ajuda a relaxar. Porque o meu selfie ideal é de alguém que escuta músicas como ópera, indie, metal, é toda certinha, toda perfeitinha. É muito sutil, mas eu me culpo até quando ouço sertanejo. Eu sinto a culpa. 🙄

O mestre budista Lama Padma Samten disse que às vezes as pessoas não gostam que a gente não se julgue. Elas querem que a gente confesse coisas. Ainda assim, a gente pode dizer: olha, ainda que essas dificuldades todas existam, eu não queria me fixar nisso, eu queria me fixar na aspiração de fazer coisas melhores.

Vale notar que esse aspecto do julgamento próprio e do julgamento do outro andam juntos: quando a gente não se culpa, não culpa a(o) outrx, também.💛 O Lama ainda diz que quando a gente começa a se avaliar muito, a gente começa a apontar problemas nos outros, porque é a mesma energia.

Hoje, a forma que tento lidar com isso é:

🍃Eu fico procurando pequenas coisas que aprecio em mim, sabe? O Lama diz que se a gente olhar pra si buscando coisa melhor, numa conversa apreciativa consigo mesmx, quando a gente olha pro outro temos facilidade de não julgar e ter uma perspectiva apreciativa, também.

🍃 Tenho ciência de que não controlamos o que vem de dentro, mas sim as nossas escolhas. Legitimar seu sentimento é olhar pra ele e dizer: por quê tô sentindo isso? Qual o motivo?

🍃 Evito me depreciar: é difícil, e são frases muito sutis e até piadinhas que refletem como a gente se vê. Gente, eu sou viciada em fazer piada que me menospreza. Essas coisas fomentam a forma que a gente se vê. Pode ser brincadeira, mas estas reforçam um sistema de crenças.

É isso. Nós não somos perfeitos. E nós amamos pessoas que também não são, nem nunca serão. ❤

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O que é Unfollow Terapêutico?

agosto 12, 2018 | Categoria: Vibes

Oi, meus amô. Quero falar com vocês sobre uma hashtag nova que surgiu no Instagram: o Unfollow Terapêutico. Acho importante a gente conversar sobre isso, e quero muito a opinião de vocês. :)

Por que surgiu essa hashtag?

Uma pesquisa feita pela Sociedade de Saúde Mental do Reino Unido avaliou o impacto que o Instagram tem na saúde mental de nós, xófens, de 14 a 24 anos. Já foi considerada a pior rede social, também. Isso porque mostra estilos de vidas que não condizem com a realidade de pelo menos 90% da população. A mesma pesquisa aponta um aumento de casos de depressão e ansiedade ligados a essa rede.

O que é Unfollow Terapêutico?

Unfollow Terapêutico é um movimento que tem a proposta de incentivar que você deixe de seguir perfis que não façam bem pra sua saúde mental. Seja aquela blogueira que viaja todo dia, seja um perfil de culto ao corpo e à dieta, etc. Muitas pessoas vão dizer: “Ah, Lari. Mas a gente não devia sentir inveja ou se comparar com outras pessoas. Cada umx é cada umx.” É muito bonito isso na teoria, né? Mas a gente é humano. Seja lá o que você sente, tá tudo bem. 💝 Não é errado sentir inveja, tristeza ou raiva vendo fotos de amigxs na Tailândia, gente com o corpo que você queria, ou pessoas muito bonitas que fazem você se sentir mal. Tá tudo bem, mesmo.

PS: trouxe falas muito sensíveis da psicóloga Cecília Dassi sobre Unfollow Terapêutico:

“Tem muitas blogueiras que REALMENTE falam para “dar valor aos momentos simples” em situações TOTALMENTE de luxo, falam que o maior perrengue que já passaram na vida foi morar em Barcelona sem ter motorista, falam que “maternidade é muito mais fácil do que as pessoas dizem” tendo empregada, babá e família ajudando; falam que dá SIM pra viajar todo ano, que “todo mundo” pode juntar dinheiro ao longo de um ano pra viajar, etc.

Existem pessoas que estão, realmente, muito desconectadas da realidade da grande maioria do mundo, e seguir um monte de gente desse tipo no Instagram vai aos poucos te fazendo achar que “todo mundo tem uma vida ótima” e que só você tem uma vida bosta. 💩

Então, parar de estar no meio desses estímulos, e afastar desses conteúdos que trazem à tona toda essa confusão de sentimentos e te fazem tirar tantas conclusões (idealizadas) sobre o mundo e (muito negativas) sobre você mesmx é um passo geralmente importante.”

O que quer que seja que você esteja sentindo, é legítimo. Cê tem que acolher e respeitar. 🙂

O Unfollow Terapêutico faz a gente se respeitar mais, legitimar o que sentimos, e de quebra evita a perda de parâmetros do cotidiano:

Algumas pessoas negam os sentimentos e entram numa batalha: “Eu não devia sentir isso. Inveja é muito feio. Eu devia pensar de outra forma 😡”.

Não, você não tinha que pensar de outra forma. É melhor que você sinta, olhe pra essas coisas com carinho e lide com os recursos que tem hoje. :)

Pra finalizar, ficam alguns questionamentos: quais conteúdos a gente consome nas redes sociais? Nos inspira ou prejudica?

Unfollow Terapêutico é sobre filtrar, se cuidar, se amar, também. É a gente respeitar os limites que temos. 💓

Postado por: Larissa P

Inspiração: Nariz Grande

julho 23, 2018 | Categoria: Inspiração

Eu odeio meu nariz. Nunca falei disso fora da terapia, mas tenho complexo de nariz grande desde a quarta série, quando os meninos me chamavam de nariz de batatinha.

Até tempo atrás, tirar selfie era muito difícil pra mim, porque eu achava meu nariz enorme nas fotos. Gravar stories então, era bem pior. :( Eu não conseguia me achar bonita em vídeos, e depois de tentar várias vezes sair bem, eu desistia, chorava um pouco por me achar feia e ia dormir.

Bateu tristeza: sem dinheiro pra rinoplastia, eu aprendia a me odiar mais. Parece loucura, mas eu deixava de sair de casa por me achar uma aberração.

Mas foi há algumas semanas atrás que me deparei com o Insta da Kiran Rai: atriz e modelo indiana, irmã da escritora Rupi Kaur. Ela assume o nariz grande nas fotos, e posa pra marcas como Gucci e Moschino. De repente, ver alguém confiante, ostentando um traço que se tornou pejorativo na indústria da beleza me deixou chokita:


Comecei a pesquisar mais sobre a ditadura do nariz pequeno, e vi a campanha da jornalista britânica Radhika Sanghani, que faz a gente questionar o preconceito contra o nariz grande. Ela diz:

A campanha foi uma hashtag no twitter, incentivando mulheres e homens com nariz fora do padrão a compartilharem suas fotos de perfil. Nesse sentido, acredito que dizer que alguém tem nariz grande não é xingamento: nós o enxergamos assimTer narigão é só outra forma de beleza, a qual não estamos acostumadxs a ver por aí.

Fotos pessoais assumindo a nareba

Vou finalizar com fotos minhas, bem plena, aceitando meu nariz grande:

Pois é, manas. Agora tô lá no insta, gravando stories até sem maquiagem, me sentindo maravitop.

Mas foi tenso, bicho. Vale dizer que foram 6 meses de terapia pra botar a autoestima em dia.

Depois de quase 10 anos de auto-ódio, eu mereço esse sossego em relação à minha aparência, né nom? 💞

Se amar é mesmo, como dizem, revolucionário.

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